Ele é simpático, sensível, se preocupa comigo, me telefone todo dia para me perguntar como eu estou e como foi o meu dia. Ele nunca me deixa esperando, abre a porta do carro para mim e puxa a cadeira para eu sentar quando saímos. Ele me traz flores e compõe canções para mim. Ele bota meu ego lá em cima, dizendo que eu estou linda toda vez que me vê. Ele é amigo dos meus pais e amigo dos meus amigos. Ele nunca bebe, não fuma e não paga mico. Ele está sempre ao meu lado quando eu preciso. Ele nunca briga comigo. Ele me ama como ninguém. E eu me sinto tão perfeita ao seu lado. Mas é esse o problema.
Porque eu ainda sinto falta de quando éramos só eu e você no nosso estranho relacionamento. Devo ser doentia, masoquista, mas é isso que eu desejo todas as noites antes de dormir. Porque eu odiava e amava ser machucada por você. Eu adorava quando nós brigávamos e no dia seguinte nos beijávamos e sabíamos que tudo já estava como antes, até que brigássemos de novo – como sempre acontecia-, e voltássemos atrás. Eu fingia que você me destruía junto com você quando você bebia e me envergonhava. Sendo que na realidade eu adorava dar bronca em você e ter que ser a responsável por cuidar de você até que ficasse bem. Eu vivia chorando pelos cantos por achar que você não me dava valor o suficiente. Não dormia de noite pensando no que seríamos pela manhã. Reclamava quando você era ciumento demais. Mas a verdade é que eu adorava isso tudo. Sofrer por você valia a pena. Porque por mais que você sempre desfizesse meu coração em pedaços, era só você que conseguia juntá-lo por completo.
Talvez eu só goste de drama. O.K., ame drama. Acho que todas as mulheres gostam. É como diz o ditado “no pain, no gain”. Ou talvez eu só ame você mesmo. Talvez eu precise do seu drama, do seu abraço, das nossas discussões, de tudo. Não há romantismo no mundo que valha isso.
E eu te amo. Desculpe-me. Nunca quis magoar nenhum de vocês dois. Agora eu vou ter que aprender a viver sem você. Só não sei como, mas eu vou.